20° de Escorpião – Lua Cheia dos Bastidores

A Lua Cheia tem seu auge dia 10/05/2017, às 18h42 (H.Brasília) / 21h42 (UT), aos 20º24’ de Escorpião

Por Aline Camargo, Agente 76

A Lua é nosso satélite natural, feita de material rochoso e tem a capacidade de refletir 7% da luz que recebe do Sol, dentro dessa porcentagem temos as fases da Lua: nova, crescente, minguante e a Lua cheia, que às 18H42 estará em sua plenitude com toda sua face iluminada lá pelo 20° grau de Escorpião, na casa 12 do mapa (para o Brasil), uma casa com humor de água mutável.

Se pensarmos Escorpião, imediatamente vamos para a água fixa do mapa. Na natureza a encontramos entre pedras, poças, cantinhos que a vida potente nos indica quase como esconderijos que nos move para entrarmos em contato com esse espelho. Que pode refletir uma imagem clara como pode com uma breve brisa distorcer tudo que ali reflete…

Essa Lua cheia tem em sua outra ponta o Sol em Touro em trígono com um dos regentes de Escorpião. É com Plutão em Capricórnio que o Sol recebe toda essa influência em sua terra fixa, toma coragem para observar seus cuidados de corpo e alma e de como vem produzindo sua terra fértil e segura para seguir.

Falar de casa 12 e uma Lua cheia em Escorpião nessa casa, é promover um lisérgico entre as sinapses, é buscar auxílio no inexplicável para construirmos espaços para esse encontro entre a dobra consciente e inconsciente que nos move. Um espaço em nosso zodíaco pessoal que causa na vida de quem se move com a força material e capitalista que nos cerca do macro a micropolítica.

E sim, não é fácil mais nos conectarmos com tanta sutileza e profundidade, imediatamente como não tocamos transferimos nossos medos e desconfianças, atribuímos qualidades da ordem da imaginação, das manifestações psíquicas, dos terrores que assombram a todos desde a infância como o bicho medonho sob a cama.

Um eixo delicado onde a Lua em Escorpião se entrega em candeeiro logo após o jantar, um tanto antes de uma imensa massa ligar a TV e ser engolida por notícias onde se prega a não necessidade do pensar, do indagar, do massacre de notícias que intoxicam sem promover arte. Aliás, promove a arte do adoecer, que deprime o corpo e o deixa como mingau para a obediência servil.

Uma forma de desviar desse adoecimento é não se calar e sair da TV, da forma capitalista, do enredo não pensante que nos cerca. Perceber se você está nesse instante é observar se sua garganta inflama, se há bolas paradas, se sua tireoide contem cistos. Nesses casos, deixe esse Sol aquecer com toda essa influência e se comunique, transborde suas falas desejos ao invés de reproduzir massa recheada de mesmice.

Essa Lua cheia em Escorpião é a possibilidade de mudarmos chaves internas, de irmos ao encontro com nossas profundidades. A potência aqui empregada é da ordem do invisível, da sensibilidade que provoca dentro para brotar entre os poros uma nova imensidão, um encontro entre forças que auxiliam o mergulho pupilas adentro.

A Lua chegou em Escorpião na madrugada de 09/05, já provocando esse inconsciente potente com sensações e imagens que nortearam sonhos e tensões, ilustrando um tanto desse lugar onde a luz é a ponta dos dedos, as palmas dos pés, o sentir do corpo e a atenção da intuição.

O movimento já se iniciou e toma corpo e toma corpo nesse marco do tempo das 18H42, casa 12 e o pulsar interno de sinapses e sensações.

Escorpião tem em si a dose perfeita para nascer e morrer carrega a potência de se mover entre terra e água, segue entre o mutável e fixo como se o mundo fosse constituído de sensações.

Pensemos uma coisa rápida aqui, de onde vem o medo, a censura, os porões da ditadura? Do meu ponto de observação, de um lugar muito frágil onde seus donos tem o medo da rebeldia, aqui facilmente traduzida como um corpo potente educado para indagar e manifestar. Essa Lua cheia provocará isso também, o desejo alheio de ter o poder do outro, de ser o ser dominante. E é aqui que temos todas as sensibilidades atentas para conseguirmos mudar um padrão: podemos aqui ter a liberdade de ouvir nossa sensação de vida potente e abandonar a servidão, não há mais necessidade de ficar em círculos e vendo o sol entre frestas de barras geladas.

Que essa Lua Cheia seja tomada feito respiração profunda e permeie contornos enrijecidos e abra espaço para a libertação das catracas que dificultam seu movimentar. Há espaço suficiente para desapegar de todo o entorno que se configura entre medos e não ações. Aos mais sensíveis, uma dose extra de intuição e movimento para mudar caminhos.

Boa Lua cheia para todos, bons mergulhos em si, desligue-se da massa capitalista e mergulhe no ser potente e sensível que te compõe, cabe a cada um de nós nos responsabilizarmos por nossos pesos e nossas levezas, e também, só cabe a cada corpo dar um passo à frente. Ninguém no universo tem a capacidade de mover seus pés a não ser você mesmo.

Por Aline Camargo, Agente 76

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Imagem: cena do filme de Luis Buñuel – O Anjo Exterminador – 1963