Nodo Sul em Aquário, Nodo Norte em Leão

A bússula aponta: Autoria, Soberania e Espinha Ereta

Desde 28/Abr/2017 até 15/Nov/2018

Por Vanessa Guazzelli Paim, Agent 55

O que são os Nodos Lunares?

São pontos de encontro do caminho aparente do Sol, que chamamos de Eclíptica, com a órbita da Lua. O Nodo Norte é o ponto em que a órbita da Lua cruza a eclíptica em direção ao norte; o Nodo Sul é o ponto em ela que a cruza em direção ao sul. São pontos virtuais que indicam em que eixo de signos do Zodíaco a Lua, o Sol e a Terra estarão alinhados de tal forma que ocorrerão eclipses. Nos momentos do ano em que o Sol se vê próximo em até 17º de uma ou outra ponta do eixo nodal, as luas novas e cheias são eclipses.

Todo ano, temos duas temporadas cada uma com dois eclipses,  um solar e um lunar (às vezes podendo-se ter um terceiro). O período de 2 semanas (ou um mês) entre estes eclipses é o que chamamos de ‘temporada de eclipses’. São dias de uma certa dimensão distinta, um momento de verificação e ajuste da bússula, em que podemos acessar uma dimensão mais profunda da existência. Pode provocar estranhamento e certa comoção no coletivo e na natureza. Esse estranhamento, no entanto, é também uma abertura ao estranho, ao inusitado e um período mais potente para a superação de padrões. Apagam-se momentaneamente os luminares, as referências externas, pra que acendamos a luz dentro de nós mesmos, podendo assim superar-nos.  No escuro nos restauramos e a melatonina se produz. Um período escuro pode chegar a ativar a DMT no cérebro humano naturalmente, com a possibilidade de ver-se a luz desde dentro.

Simbolicamente, por tanto, estes marcadores de eclipses que são os Nodos Lunares remetem à questão da sombra e da luz, apagar e acender, saída e entrada, de onde viemos e para onde viemos, o que deve ser diminuído e o que deve ser aumentado.

  • Nodo Sul (yin, mais associado à Lua) – De onde venho, memória, padrões, o familiar, o conhecido.
  • Nodo Norte (yang, mais associado ao Sol) – Para onde vou, caminho, propósito, realização, o que deve vir à luz.

São nodos, ou nós, pontos de ligação que articulam Sol e Lua do ponto de vista da Terra – pontos de encontro da Lua com o Sol, o que lhes confere ambém  um teor relacional. Trânsitos com os Nodos falam também de possíveis encontros  e reencontros, com indivíduos ou grupos.

Ficam em um mesmo eixo de signos durante 19 meses. Assim, temos não apenas as temporadas de eclipses mas também o trâsito dos Nodos em si mesmos a considerar.  Funcionam como uma espécie de bússula móvel, que transita pelo Zodíaco apontando o que norteia um determinado período, onde devemos colocar nossa energia, onde assim ganhamos energia, o que nos convoca o tempo a trazer à luz, dar atenção e efetivar. O Nodo Norte, por onde transita, destaca ilumina. Enquanto que o Nodo Sul, por onde passa pode reassessar como também finalizar. É o ponto de saída e onde devemos ter cuidado para não perdermos energia por inércia. Por ser indicativo de o que passou e de passado, ele também fala do que pode ser reassessado e resgatado. Porém, há que se ligar para não perder de vista o Norte, que é indicador de onde os propósitos se efetivam, oportunizando avançar e nos graduar.

Estamos ainda no início dos eclipses no eixo de Aquário e Leão onde transitam, respectivamente, os Nodos Lunares Sul e Norte.

O que é o trânsito de Nodo Sul por Aquário e Nodo Norte em Leão?

O Eixo Leão-Aquário é o eixo estelar. Leão é atração, é o rei, a rainha, a estrela da festa, o brilho da expressão dos talentos que o indivíduo tem a oferecer, mostrando ao mundo ao que veio. Em Leão, somos senhor e senhora de si, ocupamos nosso trono, único e intransferível. Aquário é irradiação, é a imensidão do céu, cheinho de estrelas! Lindo e aberto… em que somos mais uma estrelinha brilhando no Universo, tão imenso. Em Aquário, somos poeira estelar, livres no espaço, somos apenas mais um. Em Leão, centralizamos, somos reinado. Em Aquário partilhamos, somos tribo. Ambos os princípios são necessários – irradiação e atração.

Contudo, quando os Nodos Lunares transitam por um dos seis eixos de signos do Zodíaco, a bússula aponta um determinado norte. Agora, este norte está em Leão e é com as virtudes deste signo que nos fortalecemos e avançamos. Em Aquário está a inércia a vencer, onde estamos sujeitos a perder energia, onde está o ralo de pia dos padrões por onde a energia escoa. Essa ponta sul, indicadora de passado, fala também em reacessar, reencontrar, e os resgates ali podem ser sim de preciosidades, mas devem estar ligados e fortalecidos no propósito do norte a não perder de vista, durante estes 19 meses (até 15/nov/2018)). Com o Nodo Lunar Norte em Leão, a expressão criativa e artística ganham força e honrar a autoria se faz fundamental. É preciso assinar embaixo, mostrar a que se veio. Meras abstrações idealizadas, impessoais, alheias, sem comprometimento pessoal, não nutrem. Não é hora de deixar que o grupo que resolva, tirando o corpo fora. É um momento em que cabe pessoalizar sim, chamar pra si, colocar-se presente. É tempo de afirmações criativas e das identidades, com presença e generosidade. Cabe a cada um fazer valer seu talento e brilho próprio, encontrado na dignidade, na integridade pessoal, no brio, na coluna ereta de um rei ou uma rainha, ao ocupar o trono que lhe cabe. É esta apropriação de si de cada sujeito que torna possível, a seguir, um coletivo mais fortalecido e digno, com mais força criativa e satisfação pessoal. Quando exercemos nossa luz, temos mais facilidade em deixar que a originalidade de cada um brilhe.

Faz-se fundamental ocupar o próprio lugar. Assim como, em termos geopolíticos, é fundamental o respeito à soberania, para que com o nodo sul em Aquário não se disperse a força nem se desintegre a identidade cultural, que defendem da dominação hegemônica. A produção criativa e cultural é vital fonte de fortalecimento neste período. Talentos e obras devem vir à luz, honrando a autoria de cada sujeito e a soberania de cada país, povo ou nação. Para que haja fraternidade, liberdade e igualdade de direitos – temas estes de Aquário – é preciso que agora nos façamos respeitar, com dignidade, contribuindo em nome próprio com o que nos é único e singular.

Só há um(a) de você no mundo, de todos os tempos

Martha Graham, bailarina e coreógrafa que ensinou a grandes estrelas a ter melhor presença cênica, tinha Lua e Fundo-do-Céu em Leão, pontos que falam de profunda familiaridade. Nascida em 11/mai/1894, Pittsburgh-USA, 6am, ela sabia profundamente o que é ser Leão. E disse:

“Há uma vitalidade, uma força vital, uma energia, um estímulo que se traduz em você pelo seu ato, porque só há um(a) de você em todos os tempos; essa expressão é única. Se você a detém, ela nunca existirá por nenhum outro meio e se perderá. Ela não aparecerá no mundo. Não é de sua conta determinar quão bom ela é, nem quão valiosa, nem como se compara com outras expressões. O que te importa é mantê-la clara e diretamente sua, manter o canal aberto. Você não tem nem mesmo que acreditar em si mesma e em seu trabalho. Você tem que se manter aberta e alerta ao anseio que te motiva. Mantenha o canal aberto.”

Este canal é a expressão a que nos convoca enfaticamente o nodo norte até novembro de 2018.

Do que nos enamora

Osvaldo Pugliese, músico, compositor e grandíssimo maestro de uma das quatro principais orquestras de tango, tinha Nodo Norte em Leão em seu mapa de nascimento (02/Dez/1905, Buenos Aires-AR, horário desconhecido). Ele conhecia bem o Aquário, o desprendimento, a fraternidade, ser apenas mais um: “Nunca me considero um artista, mas um laburante de música. E um laburo, um trabalho, bastante confortável, porque eles sim trabalham, os das fábricas, os do porto. Mas eu digo que sempre me senti mais um.”

No entanto, ocupou seu trono de artista com explendor – era isso que a vida queria dele e ele o fez. Uma figura tão marcante na história do tango, que até selo se fez dele. Uma das caras mais conhecidas  e emblemáticas do tango, com sua assinatura musical nítida e fina, de autoria inequívoca. Chega a ser chamado “Don Pugliese”, “San Pugliese!” Autoridade. E a questão da soberania a tinha clara e presente: “A soberania nacional também se defende com a cultura.”

Quais são nossas paixões, quais são nossas identificações, o que compõe nossa identidade? O que nos enamora? Qual nosso desejo criativo? Para expressá-lo, o Nodo Sul em Aquário nos possibilita o resgate da humildade, da simplicidade e do desprendimento inclusive com o que parecerá aos demais. O que importa agora é a expressão única que faz nosso coração cantar. Que disto brotem feitos, obras, criações e autoestima. A (re)invenção de si. E a integração mais plena de nosso próprio ser, pra que possamos chegar em novembro de 2018 com a espinha ereta e o coração tranquilo, tendo o que responder a nós mesmos como o fez Don Pugliese:

“Se no final … O que eu fiz? Tangos. Isso é tudo.”

E que tudo.

Por Vanessa Guazzelli Paim, Agent 55

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