Lua Negra em Sagitário – Fev a Nov/2017

Por Vanessa Guazzelli Paim, Agent 55

Quando a Lua Negra se encontra em um signo, aflora-se o que de não elaborado e não resolvido há com os temas deste signo, podendo ela até atuar como uma inversora de valores que evidencia o lado B das coisas. E por que o lado B? Porque Lua Negra é o registro do Real, como concebido em psicanálise (Lacan), registro do impossível, âmbito da experiência crua, nível das sensações não elaboradas por imagens e palavras. Algo de estranheza há quando há Lua Negra. Algo mobiliza de uma forma outra.

Essa expressão como inversora de valores se dá especialmente no signo de Sagitário. Algo de estranho se passa com a lei, com a justiça, com as autoridades que definem as regras e a direção a seguir.  Uma Lua Negra em Sagitário por nascimento percebe visceralmente que há algo de estranho com as regras e lei – que quem a pauta talvez não a esteja seguindo, ou que as regras vigentes são de uma arbitrariedade que, de alguma maneira, não coincide com o que se sente como justo e correto. Ou, ainda, se tem a experiência de não poder contar com a lei, ou de ela simplesmente não valer, ou não fazer sentido pessoalmente. Lua Negra em Sagitário, portanto, pode falar de corrupção, de uma desconsideração da lei e da justiça, quando o grande Outro não é barrado, quando a autoridade não responde ela própria pela lei que impõe aos demais. No entanto, a percepção do que falha nas regras e na justiça pode se converter na necessidade visceral de se ter uma ética própria, que realmente faça sentido para o sujeito. Uma Lua Negra em Sagitário necessita encontrar seu próprio sentido ético, o qual então pode bancar radicalmente, visceralmente, afirmando até as últimas consequências seus valores e ousando denunciar a verdade.

Este ponto astrológico transita por um signo durante 9 meses, tempo de uma gestação humana, e nos conta da vivência da mãe durante a gravidez – não a versão oficial ou mesmo consciente, mas o registro da experiência no nível das sensações. Uma Lua Negra em Sagitário tem a marca de uma necessidade visceral de expansão – seja física, intelectual, internacional. E aí é onde também está o talento desta Lua Negra – buscar o conhecimento desde as entranhas, atravessar horizontes, transgredir fronteiras.

Ao mesmo tempo, pode haver um estranhamento com a questão do estrangeiro, assim como uma fascinação. Ou ainda, simplesmente, uma mobilização visceral pela qual, mesmo sem perceber, a pessoa acaba por buscar este outro mais além. E a verdade mais além. Qual a verdade que realmente me faz sentido? Por quais leis e princípios me pauto? São questões do período deste trânsito (13/fev a 10/Nov/2017). Qual o posicionamento que banco por minha verdade? E pela verdade perante o coletivo? Sagitário é um dos signos mutáveis, também chamados comuns. O campo do comum é o da interação humana, em que vamos de encontro ou ao encontro do outro. Perante a diferença, ou tentamos aniquilá-la pela dominação, ou vemos nela valor no encontro com o estrangeiro.

Com a Lua Negra em Sagitário nos deparamos com a purgação da falta de verdade, falta de justiça e de ética, da corrupção – seja a das malas de dinheiro público desviado, seja das manchetes de jornais que manipulam e destorcem a verdade, seja a da ausência da prática em cima de quem prega. Corrupção – palavra essa quase que ela própria já corrompida, por ser utilizada para justificar usurpação de poder e abuso, em nome da suposta intenção de “acabar com a corrupção”. Contudo, o que há de corrupto sim emerge e está a olhos nus. Órgãos e encarregados de zelar pela justiça têm sido muitos deles os corrompidos e corruptores. E se evidenciam, em muitas situações no dia-a-dia do Brasil e do mundo, ‘leis’ injustas ou a tentativa de se corromper a legislação, para servir de forma vil a alguns em detrimento de outros, ou em detrimento de muitos outros.

Desobediência Civil, quando algo se passa com a lei

“Temos a responsabilidade moral de desobedecer a leis injustas”, afirmava Martin Luther King, uma Lua Negra em Sagitário por nascimento. Foi também durante um trânsito de Lua Negra em Sagitário que se publicou uma obra de inspiração fundamental para Martin Luther: Desobediência Civil (1849), de autoria de Henry Thoureau.

Lua Negra não brinca em serviço, materializa, concretiza. E este conceito é, na atualidade, de importância concreta: desobediência civil é uma forma de expressão do direito de resistência, do direito de lutar para garantir direitos básicos quando as instituições públicas não cumprem sua função, não cumprem a lei ou não asseguram por meios legais direitos fundamentais à vida e à liberdade. Quando a lei vigente está pervertida e é injusta, a desobediência civil é a forma de garantir os direitos negados pela dominação e o abuso. É responsabilidade ética. E ética é, na real, a prática que resulta da consciência de cada sujeito. E cada um é que pode saber o que lhe toca.

Foi também com a Lua Negra transitando por Sagitário, em 1º de dezembro de 1955, que Rosa Parks, mulher negra americana, ousou desobedecer à lei que determinava que negros cedessem seus lugares aos brancos e sentassem ao fundo nos ônibus. Rosa estava sentada em um banco da frente quando entrou no ônibus um homem branco e ela se negou a ceder-lhe seu lugar. Firme, manteve sua posição e foi então presa. Contudo, seu ato de desobediência civil perante uma lei injusta, mudou a lei. A mobilização gerada levou a uma decisão da Suprema Corte dos EUA declarando inconstitucionais as leis do Alabama e Montgomery e inconstitucionais os ônibus segregados. Rosa foi solta e, anos depois, o dia de seu aniversário (4/fev) tornou-se feriado na Califórnia, o chamado “dia de Rosa Parks”.

Noam Chomsky, renomadíssimo linguista, intelectual e ativista, fortemente concernido com a responsabilidade dos intelectuais e seu dever de analisar e trazer à luz as mentiras dos governos e elites dominantes, é ele também uma Lua Negra natal em Sagitário. Chomsky enfatiza a importância de que as atitudes populares não sejam apenas pensadas, mas que a população se organize, se mobilize, se energize para que realmente sejam significativas. Pois esta é a maneira pela qual se deram as mudanças positivas no mundo – com mobilização, com energia.

Como nos pautamos eticamente? Qual nossa responsabilidade com o que é justo? E como resistir à máquina abusiva de um sistema injusto? Questões que nos suscita a Lua Negra agora. E que ela mesma responde indicando que se começa com o corpo. Estar presente no corpo, apropriar-se deste corpo é o primeiro passo para se poder responder à vida. A engrenagem do coletivo é imensa e por vezes o indivíduo nem sabe por onde pode fazer algo, sequer por si mesmo. Bem, começa-se pelo corpo. A escuta do corpo, a apropriação do corpo, dá a este a condição de responder por si e não estar apenas subjugado a compulsões que o aprisionam.

Isto pode ser compreendido em níveis mais metafóricos, mas se explicita no real da ação do francês David Belle, outra Lua Negra em Sagita, criador do parkour (percurso), arte de rua definida por Mike Schwab como “Ou l’art du deplacement (a arte do movimento), a disciplina física do treinamento para superar quaisquer obstáculos dentro de seu caminho, adaptando os movimentos de alguém ao meio ambiente da maneira mais eficiente possível“. O parkour é ação na pólis explicitada no real, transgredindo as leis urbanas dos caminhos pré-definidos e as leis da própria física. Dele surge ainda a evolução ao free running (corrida livre), que se concentra na criatividade e autoexpressão para encontrar o próprio caminho, em vez de enfatizar a eficiência.

Frente à opressão, colocar-se em movimento com a vida é a primeira transgressão necessária à liberdade. Essa libertação individual já é em si uma grande contribuição ao coletivo. Sentir que nossos movimentos podem se expandir, expande a realidade que vivenciamos. Lua Negra em signo de fogo, como é Sagitário, é grande potencial criativo, afirmação de impacto visceral.

Outro exemplo desta posição natal da Lua Negra é o incrível Oliver Stone, diretor de filmes e documentários críticos às manipulações de seu governo e do sistema, com perspicácia. Dentre suas obras, está Snowden, O Filme – que mostra a vivência de Edward Snowden, ex-agente da CIA (não a Cósmica) e da NSA, ao revelar o nível da espionagem e invasão de privacidade realizadas pelo governo americano, que fere princípios da constituição do próprio país; e ainda sua mais recente pérola, o conjunto de Entrevistas com Putin, com as quais Stone convida a população americana e mundial a escutar o líder russo por ele mesmo, vê-lo e ouvi-lo responder a diversas perguntas, trazendo esclarecimentos que põem em cheque muitas das versões da grande mídia coorporativa do ocidente. Oportuniza, assim, que cada um veja por si e tire suas próprias conclusões do que é a verdade.

A nossa C*I*A – Cosmic Intelligence Agency foi fundada por uma bela Lua Negra em Sagitário, a australiana Julija Simas, Agente 12.

Tem essa mesma LN também o BRICS – parceria Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, – que surge como busca de fortalecimento de um mundo multipolar, não submetido a um único poder hegemônico. Atravessa ainda seus desafios.

E, ainda, o Brasil. A independência do país tem a Lua Negra em Sagitário no alto do mapa. Este caso tão especial abordo em outro artigo aqui pela AgenC*I*A.

Neste momento, meses de agosto e setembro de 2017, temos a Lua Negra transitando pelos graus 21 a 24 de Sagitário, fazendo conjunção com Saturno, sextil com Júpiter em Libra e exato trígono com o Nodo Norte em Leão no dia 7 de setembro (aos 23º01′). Mais do que nunca, tenhamos presente o conselho de Martin Luther King: “Devemos construir diques de coragem para conter o fluxo de medo”.

E mantermos a fé! Desde as entranhas. Em movimento, expandindo nossa capacidade de ação criativa.

Por Vanessa Guazzelli Paim, Agent 55

Perfil e Contatos da Agente 55

Imagem: Obey

Nativos e mapas com Lua Negra em Sagitário com alguns exemplos bastante extremos,

pois a Lua Negra nos fala tanto de dificuldade como de talento:

Martin Luther King, Deepak Chopra (As Sete Leis do Sucesso) , Susan Sarandon, Audrey Hepburn, Unief, Cher, Jane Fonda, David Belle, David Bowie, Dante Alighieri, Bill Gates, Bill Clinton, Donald Trump, Helena Blavatsky, Carlos Drummond de Andrade, Noam Chomsky, Oliver Stone, Brasil (mapa da independência), BRICS (parceria Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), Ato de Rosa Parks (Dez/1955), Desobediência Civil  (Thoureau, 1849), Agent 12 Julija Simas nossa fundadora da Cosmic Intelligence Agency, Bitcoin.