JÚPITER EM ESCORPIÃO: Blade Runner, no fio da navalha

De 10/Out/2017 às 10h20 (Br) 13h20 (UT) a 08/Nov/2018 às 9h38 (Br) 12h39 (UT)

Por Vanessa Guazzelli Paim, Agente 55

Este é o Júpiter de Blade Runner, o filme original lançado em 1982. Júpiter em Escorpião é neo noir. É o charme da profundidade, é o hype misterioso, é o denso inspirador. O termo Blade Runner poderia ser traduzido como aquele que corre sobre a lâmina, ou com lâminas e instrumentos (ver origens do título do filme). Ou, ainda, o que corre no fio da navalha, em momento decisivo de transformação. Assim é o tempo que vivemos. O corredor é Júpiter, significador de ir além, correr à frente, lançar-se ao futuro. A lâmina ou navalha é o preciso e cirúrgico Escorpião – concentrado, intenso e eficaz.  Certa intensidade se faz sentir, uma concentração que ao mesmo tempo expande. Júpiter é expansão, amplia horizontes e faz crescer. Dá destaque, confere valor. É Zeus, o deus do Olimpo e do pódio, das glórias. Mergulhado nas águas do intenso e profundo Escorpião, valoriza a profundidade, a investigação e a transformação. Pessoalmente, trata-se de um tempo potente para as alquimias interiores, a investigação dos segredos e mistérios e a partilha profunda na intimidade. Tratados, encontros e alianças, resultantes do período anterior de Júpiter em Libra, agora se aprofundam. Mais do que diplomacia, agora é tempo de cumplicidade.

Em termos sociais e geopolíticos

Como nos alertava a Agente 222, Nazaré Abreu, em seu artigo de Júpiter em Libra, o que não tiver sido resolvido ou encaminhado ainda em tom mais diplomático, agora passa a uma abordagem mais dura. A tendência é haver mais vigilância e que se precise estar vigilante. Júpiter também significa autoridade e Escorpião o detetive, o investigador, o policial. O tom agora é mais sério e os posicionamentos tendem a causar mais impacto. No processo em que vem a humanidade, cada vez mais a verdade vem à tona. A Lua Negra em Sagitário fez impossível negar a incongruência de leis injustas ou a falsa moral de supostas autoridades e os desvios corruptores da justiça, Agora Júpiter, regente de Sagitário (signo das leis e da verdade), em vestes escorpiônicas ilumina os porões com seu olhar de águia (símbolo associado tanto a Júpiter como a Escorpião). Mas isto é a Luz que vem sim aumentando. É bom! É sim pra que possa ficar melhor, bem melhor. Ainda que tenhamos chão pela frente, algumas horas de voo e algumas voltas ao redor do sol.

O tom da pólis

Júpiter é um planeta social. Fica praticamente um ano em cada signo. Assim, tem o mesmo Júpiter quem nasceu ali pelo mesmo ano, é o Júpiter da turma da escola, do pessoal da mesma idade.  É ele que marca o tom da socialização de uma determinada série ou ano escolar, que é sempre diferente daqueles do ano seguinte ou anterior, mesmo no passar dos anos. Rege, portanto, as regras e o clima das interações sociais para além do âmbito familiar, que nos introduzem a compartilhar na pólis, onde nos encontramos com o estrangeiro, como o humano estranho a nós.

Replicantes ou Humanos?

Os androides-humanoides de Blade Runner, parecem tão humanos que fazem surgir a questão: o que define um ser humano? Estes humanoides chamados “replicantes” buscam encontrar uma forma de seguir vivendo além do período de 4 anos determinado por seu design. O desejo de viver e seu questionamento filosófico faz com que pareçam mais humanos que alguns dos de fato humanos. Não à toa este filme é lançado com Júpiter a zero grau de Escorpião, signo profundo, investigativo e fixo.

Cada uma das 3 cruzes (cardinal, fixa e mutável)  de 4 elementos (fogo, ar, terra e água) que compõem o zodíaco de 12 signos, cada uma delas tem um modus operandi e uma maneira de conceber e se relacionar com o outro. Para melhor compreendermos esta temporada de Júpiter em signo fixo, vejamos pontualmente a que se referem estes três princípios, cardinal, fixo e mutável.

Enquanto a cardinalidade inspira e motiva, dando início às estações (Áries, Libra, Cãncer, Capricórnio), os signos fixos se ocupam em dar expressão e consistência ao que foi inspirado, tornando-o pleno, são o auge das estações (Touro, Escorpião, Leão e Aquário). Sem cardinalidade, não há motivação, afeto, vontade e impressão. E, sem fixidez, não há obra, forma, objeto e expressão. Os signos mutáveis, por sua vez, têm de se haver com a complexa tarefa de articular afeto e razão, impressão e expressão, com toda a gama de contradições do humano – são os signos do final das estações (Gêmeos, Sagitário, Virgem, Peixes), que elaboram sentido às experiências fixas e cardinais.

Para que haja integração no campo mutável, é preciso que ambos cardinal e fixo existam em certo equilíbrio. Todos estes três princípios são necessários na vida de um sujeito e nas relações. No romance por exemplo, a cardinalidade é o gostar do outro como extenção do meu próprio desejo (afeto), a fixidez é o desejar o outro como objeto do meu desejo (sexo) e a mutabilidade o reconhecimento humano, o diálogo, o encontro do outro como outro (humanidade). Todos nós temos essas três modalidades em nossos mapas astrológicos, articuladas porém de maneira única em cada pessoa.

Júpiter é um regente natural de signos mutáveis, concernindo assim as leis e princípios que pautam a conduta humana. Estando agora em signo fixo, traz a atenção para a questão do  objeto – e isto tem mais de um viés de interpretação.

Em nosso coletivo, a objetificação se sobrepôs à consideração dos afetos e dos corpos, do aspecto natural e orgânico da vida, causando os desequilíbrios que vemos na atualidade, fazendo-se necessária a restauração de cada um destes princípios – cardinal, fixo e mútável – e o equilíbrio entre eles. Se a fixidez está exacerbada, os objetos valem mais que os afetos e os objetivos, os fins, justificam quaisquer meios.

No entanto, é a fixidez que possibilita abstrairmo-nos das pequenas afecções de cada momento, de cada memória e sensação, a fim de se fixar um objetivo e, assim, realizar trabalhos, obras, objetos, feitos. E neste sentido Escorpião pode ser muito fértil, especialmente porque neste período Júpiter fará um fluente trígono de água com Netuno em Peixes, com três auges! Teremos oportunidades bem especiais de chegarmos o um outro nível de compreensão do humano e dos mistérios e belezas da vida. Em meio a tempos realmente delicados, não devemos nos iludir, são tempos fortes na humanidade, mas em meio a limpeza e transformação, preciosidades também vêm à luz.

E que luz e que estética. Blade Runner*, original, de Ridley Scott. Que nos traz a questão: o que é ser humano? O quanto pessoas e seres têm sido tratados como objetos, máquinas, escravos… Como se dá a consideração da vida?

Veremos ainda mais evidentes, neste tempo de Júpiter em Escorpião, as formas perversas que ainda dominam o sistema, para que possam ser curadas. Teremos oportunidade de aprofundarmos nossa consideração do humano e da vida. E ainda mais… de objetivarmos isto em expressões criativas de peculiar beleza. E desfrutar do charme noir que toma conta da pólis.

Por Vanessa Guazzelli Paim, Agente 55

Perfil e Contatos da Agente 55

* E por falar em Blade Runner, no próximo mês é o ingresso da Lua Negra em Capricórnio, que também é a do filme, original. Mas disso, podemos falar mais na frente.

Alguns aspectos a destacar de Júpiter transitando em Escorpião:

Ingresso em Escorpião – 10/out/17 10h20 (Br) 13h20 (UT)

Trígono Netuno em Peixes – 2/dez/17, aos 11º30’; 25/maio/18, 16º20’; 12/set/18, aos 18º51’ (total de 3 auges)

Retrogradação – SR em 9/mar/18 aos 23º13’; SD em 10/jul/18 aos 13º21’

Sextil Lua Negra em Capricórnio – 1º/maio/18 aos 19º17’

Sextil Plutão em Capricórnio – 16/jan aos 19º18’; 14/abr aos 21º16’; 12/set/18 aos 18º51’ (total de 3 auges)

Trígono Quiron em Peixes – 1º/Nov/18 aos 28º31’

Ingresso em Sagitário – 8/Nov/2018, 9h38 (Br) 12h38 (UT)